Num ponto equidistante entre dois corpos, 2021

O que acontece no hiato-abismo entre a fala e a escuta?

Entre o toque e a sensação?

Entre a leitura e a reflexão?

Entre um corpo e outro?
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Em um contexto de contágio no qual tocar torna-se perigo, contatos interrompidos para a descoberta do mundo tátil, mãos enluvadas em álcool gel e assepsia dos afetos, como seguir sendo humano? 

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O círculo como forma e fluxo: o eterno retorno.

Círculos que configuram códigos braille para leituras da vida.

Um visor ótico para os microorganismos que não vemos a olho nu.

Um visor ótico para corpos celestes que estão muito além da nossa atmosfera terrestre: por isso o olho não alcança.

Olho mágico para abrir portas e máquinas de fazer fotografias.

A mão complementa aquilo que o olho não contempla.

O amor como princípio de toda criação.

O toque como resgate humano.

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Tateando a vida para um roçar de compreensão dos mistérios...