PARANGOLÉS IncorpÓreos, 2021

O solo brasileiro é - desde sempre, para sempre - território indígena. Esse foi o pensamento balizador, considerando o contexto local, com o qual desenvolvi meu trabalho na residência artística com a Betina Samaia em Canela/RS. 

Naquele local de um hotel de alto luxo em reformulação, me deparo no caos da reestruturação arquitetônica com ripas abandonadas de espelhos. Lembro, então, que este objeto era uma das bugigangas que os colonizadores ofereciam aos índios em troca de vastidões territoriais.

O espelho como símbolo da usurpação colonial, como imposição arquitetônica e devastação ambiental. Matas, fauna e flora mortos por dinheiro. Incêndios criminosos na Amazônia e um desgoverno que propaga a ignorância que mata.

Me agrego artisticamente ao coro contra o marco temporal, contra os crimes ambientais, a favor dos nossos povos ancestrais. Os vultos "pele-vermelha-parangolés-incorporais", são os protetores das matas, entidades de ontem, agora e além...

“Realizado com incentivo da Bolsa do Projeto Cultural Laje de Pedra ”.

Setembro, 2021